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Estável, suicídio entre jovens ainda é quarta causa de morte no Brasil

Data publicação: 13/09/2018

O suicídio aumentou gradativamente no Brasil entre 2000 e 2016: foi de 6.780 para 11.736, uma alta de 73% nesse período. As maiores taxas de crescimento foram registradas entre jovens e idosos, do acordo com o Ministério da Saúde.


No mundo, o suicídio acomete mais de 800 mil pessoas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). É a segunda causa de morte no planeta entre jovens de 15 a 29 anos — a primeira é a violência.


Já no Brasil, em 2015, o suicídio foi a quarta causa de morte nessa mesma faixa etária, ficando atrás de violência e acidente de trânsito, de acordo com os dados do Ministério da Saúde.


No entanto, esse número tem apresentado uma pequena estabilização nos útlimos dois anos, inclusive nesses grupos, conforme explica o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, responsável pela pesquisa Mapa da Violência no Brasil desde 1998. 


"Houve uma leve oscilação para baixo que ainda não pode ser considerada uma tendência de queda, pois é bem pouco significativa. Houve certa estabilização depois de um tempo de crescimento constante em todas as faixas etárias. Uma melhora na taxa que antes era de crescimento contínuo", afirma.


Os dois últimos anos marcam essa pequena estabilização. Só podemos falar em tendência após três anos consecutivos de queda. Estamos no segundo ano, então isso pode ser apenas uma oscilação e não uma queda", completa.


Ele explica que a incidência de suicídio entre a população brasileira passou de 4,1 em 100 mil habitantes no ano 2000 para 5,5 em 100 mil habitantes em 2016.


Exceção à regra


Nesse período, o suicídio aumentou drasticamente em três estados. Em Roraima foi de 8,1 para 11,3 em cada 100 mil habitantes. "Aumentou 11%, mais que o dobro da média nacional", afirma.


Os outros dois Estados com grande aumento no índice de suicídio foram Piauí, que passou de 2,8 para 10,1 em 100 mil habitantes, e o Rio Grande de Sul, que sempre foi líder nessa questão no Brasil, segundo o sociólogo. O índice foi de 10,1 para 10,4 a cada 100 mil pessoas.


"Esses são os três Estados cujas taxas são muitos significativas, taxas praticamente europeias. A região Sul foi povoada por europeus e incorporou a cultura do suicídio dentro da migração que sofreu. Veja os outros Estados do Sul: Santa Catarina tem 9,7 e Paraná, 6,8 [a cada 100 mil pessoas]. Essa região está acima da média nacional", afirma.


Já o Rio de Janeiro apresenta 3,5; Bahia, 3,4, e São Paulo, 4,9 em 100 mil habitantes.


Segundo ele, entre a faixa etária de 15 a 24 anos e acima de 60 são consideradas as que mais crescem, de forma em geral. "A mortalidade entre jovens é muito baixa. Não são propensos a doenças. Morrem muito de acidente de trânsito, homicídio e suicídio. Não é porque suicídio seja muito elevado, mas porque as outras causas de morte são muito baixas. O jovem está em plena exuberância da vida", afirma. 


"No Brasil, não há uma forte cultura de suicídio como existe em outros países como França e Japão, que apresentam alta taxa de suicídio", completa.


De acordo com o Ministério da Saúde, o maior índice de suicídio está entre os homens (79%), mas a maior incidência de tentativa de suicídio está entre as mulheres.


O Brasil está entre os países que assinaram o Plano de Ação em Saúde Mental 2015-2020 lançado pela OMS/OPAS. Esse plano de ação foi desenvolvido para acompanhar o número anual de mortes em cada país e o desenvolvimento de programas de prevenção.


Problema de saúde pública


Cada vez mais, o suicídio está sendo tratado com um problema de saúde mental e saúde pública.


O psicólogo Danilo Faleiros, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que se trata de um problema de saúde pública porque a incidência é alta e constante. Apesar de quedas ou aumentos sutis nos índices, os números se mantêm estáveis, da mesma forma que ocorre em relação com vítimas de doenças crônicas, como o câncer.


“O suicídio existe em todas as sociedades e causa grande impacto na vida de muitas pessoas, dos familiares, dos amigos, dos colegas de trabalho. É custoso para todos”.


O psicólogo também explica que são mortes passíveis de intervenção e podem ser evitadas na maioria das vezes. “Alguns casos escorrem pelas mãos da gente. São aquelas pessoas que não se manifestam sobre a ideia de suicídio ou não têm a oportunidade se manifestar, mas na maioria das vezes a morte pode ser evitada”, explica.

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